quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

CONVERSA RIBEIRA - DO VERBO CHÃO


Formado por Andrea dos Guimarães (voz), Daniel Muller (piano e o acordeão) e João Paulo Amaral (viola caipira e voz), o grupo lança seu terceiro álbum, Do Verbo Chão, com um desdobramento singular da música caipira. O disco cultiva, ao mesmo tempo, o vínculo da tradição com a liberdade de criação em novos arranjos, manifesta mais uma vez sua força criativa, seu sentido crítico, sua presença original, recolhendo porções de beleza e sabedoria que o passado do povo caipira oferece e projetando ao futuro uma produção cheia de imaginação. 
Com 17 anos de carreira, o trio segue firme na pesquisa musical e a intenção de resgatar pérolas criadas por grandes autores da história da música caipira. O novo álbum, por exemplo, revela Pé de ipê, toada de Tonico; as modas de viola Gostei da morena, de Raul Torres; Herói sem medalha, de Sulino; e Moda da Onça, canção de domínio público que Inezita Barroso recolheu em Itapecerica da Serra, na década de 1940. Integram ainda o repertório as canções Atrás poeira, de Ivan Lins e Vitor Martins, Folia, de Lourenço Baeta e Xico Chaves, e Olho d’água, de Paulo Jobim e Ronaldo Bastos.
Ao lançar Do Verbo Chão, o trio manifesta a necessidade de preservar a tradição sem tratá-la como peça de museu, mas como um processo cultural dinâmico. Nessa pegada, o grupo Conversa Ribeira já dividiu o palco, em 2012, com a Orquestra Municipal de Jundiaí, criando arranjos para incorporar a orquestra de cordas à sua concepção peculiar da música caipira, e com a Orquestra Sinfônica de Sorocaba. Em 2017, voltaram ao palco da Orquestra Municipal de Jundiaí, ao lado de Renato Teixeira. O segundo álbum, Águas Memórias, foi lançado em 2013. Ao longo de sua trajetória, o trio já tocou ao lado de Guinga, Inezita Barroso, Mônica Salmaso e Paulo Freire.

Se vc gostou adquira o original, valorize a obra do artista.
https://www.conversaribeira.com/
Vc tambem poderá acessar o grupo nas principais plataformas digitais.

Recomendadíssimo !!!
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

FOI FEITO UM NOVO UPLOAD DO DISCO DO MUSICO GALLDINO TRIBUTO A LEGIÃO URBANA COM ACRÉSCIMOS DA MUSICA MONTE CASTELO E TRES MUSICAS EXTRAS COM VERSÕES DIFERENTES.

domingo, 12 de janeiro de 2020

PEPOST A PEDIDOS

GALLDINO - TRIBUTO LEGIÃO URBANA
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CHICO TEIXEIRA - MAIS QUE O VIAJANTE
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ZECA BALEIRO - CHÃO DE GIZ
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ADMIRAVEL MUSICA DE ZÉ RAMALHO - 1978 A 1984
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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

ROBERTO BACH - BAHIA BANHADA EM SANGUE


Roberto Bach, baiano de Vitória da Conquista, tem autoridade para tratar do tema: não por ser baiano, mas porque sua alma é medievalesca, assim ele se posiciona no mundo, assim é o seu olhar e modo de sentir. Mas Roberto Bach não é personagem típico do período medievo, aquele que age de acordo com os princípios cavalheirescos, não é protetor dos fracos e oprimidos, não é o portador da justiça num mundo sem lei e ordem; em nada lembra os representantes daquela época que se cristalizou no Ocidente a Era de Heróis – que tem na lenda de Arthur seu ponto máximo. Antonio Roberto Bach é um poeta, um menestrel, entretanto, um renegado, um goliardo.
Os goliardos eram monges expulsos dos mosteiros e como não sabiam lavrar a terra e não tinham talento ou capacidade técnica para os ofícios ou a guerra, ganhavam a vida – literalmente o pão! – ensinando música e poesia ou divertindo o populacho com versões picarescas da grande arte exibida nos grandes salões aristocratas ou da Igreja. Libertos das obrigações sacras dos mosteiros ou talvez por vingança contra o regime opressor, carregavam fortemente os temas profanos, alimentados de forte teor blasfemo, erótico. São chamados “hippies da idade média” e a meu ver a comparação , se não correta, é muito apropriada para compreender sua postura frente o mundo e seu modo de ser: há, de fato, uma correspondência entre os goliardos e a geração beat: talentosos, ousados, desbocados, sensíveis; com distância de séculos, ambos – hippies e goliardos -, anunciavam profeticamente novos tempos, através do rompimento traumático dos velhos costumes. Roberto Bach é um pouco de tudo isso: talentoso músico, poeta e artista plástico, desbocado, sensível e irascível na defesa de seus princípios, não se enquadra em nenhum grupo. Espírito livre, sem papas na língua, Bach é movido por uma estranha paixão que transparece e transborda. Seus versos são dotados de uma energia dilacerante, tal qual um louco pregando no deserto, nas mãos em vez de espadas e punhais, o violão ou as flautas. As palavras declamadas na Abertura – “...um dissidente insurgindo-se contra a Igreja de Roma, nos sertões do Brasil, nos sertões da alma...” – valem para ele próprio. O solitário e dissidente menestrel empunha seu violão e brada, solta a voz, sempre um corpo estranho por onde passa quando eventualmente participa de algum festival, nos sertões do mundo onde milhões de seres vagam em massa, como almas penadas. Ninguém mais apropriado, portanto, do que um goliardo para decifrar a atmosfera daquele reino “que não era deste mundo!” Eis o mundo de Canudos: nem a Utopia de Morus, nem o reino de São Sebastião, nem o Paraíso do Novo Mundo; Canudos foi um caso único na história.
PINTURA DE ROBERTO BACH

OS SERTÕES, SEGUNDO BACH O autor tem pulso no tratamento dos temas, sem apelar para o emocional superficial que sempre caracteriza as denuncias contras as injustiças. Os 13 temas que tratam dos principais episódios desde as andanças iniciais do peregrino Evangelizador, a construção da Tróia de Taipa, o Primeiro Confronto, alguns personagens, como as mulheres Guerrilheiras, a derrota inesperada do coronel Moreira Cesar, as táticas de combate no Quadrado de Baionetas, as armas – Canhões contra velhos fuzis -, o mar de sangue, o horror sem nome da Matança cruel, até o Amargo Fim. O Conselheiro, que antes de se estabelecer na fazenda abandonada de Canudos (o nome “canudos” derivava dos bambuzais à beira do rio Vaza-Barris, os canudos de bambu) peregrinou por cerca de 20 anos por toda a região, fazendo pregações e reformando igrejas por onde passava. Canudos, chamada por Euclides de a Tróia de Taipa, reuniu no auge de sua existência, de 25 a 30 mil habitantes, dotada de auto suficiência, algum saneamento básico, negociava o excedente de sua produção com as cidades das imediações – sua principal atividade era a criação de cabras, que lhes fornecia carne, leite e couro, que tinha múltiplas finalidades, de sapatos, a roupas e assesórios (bolsas,capas, etc). Numa região de miséria crônica, Canudos era um oásis, que crescia ano após ano, pois lá as pessoas trabalhavam para si mesmas, tinham moradia e até escola para os filhos. Com isso, esvaziavam pequenas vilas e fazendas da região, trazendo sérios problemas de mão de obra para os fazendeiros. (Tivesse Canudos sido deixada em paz, no que se poderia ter se tornado? Uma próspera cidade, exemplar numa região miserável, rude e áspera? Ou teria sucumbido uma ou duas gerações depois, engolida pelo coronelismo regional? São perguntas que jamais saberemos a resposta, seus apologistas e detratores se entrincheiram, ainda hoje, de cada lado de um campo de justas imaginário). Roberto Bach se dispõe a narrar poética e de maneira concisa, essa irreparável tragédia nacional que ficou para a história como exemplo de resistência, bravura, loucura,covardia, mentira, intolerância: a expressão “Canudos não se rendeu” continuará para sempre ecoando, da mesma forma que no extremo sul do país, as palavras do índio Sepé: “A nossa terra tem dono!”, proferida no momento de sua execução. Expressões singulares, proferidas no calor da luta, carregadas de imenso simbolismo, que o tempo tratou de jamais fazer esquecidas. O artista/cantor/narrador/poeta/pintor/músico em linguagem cortante, dilacerante e contundente, discursa com a “alma”, tendo ao fundo as vozes de lamento, dor e horror, tão vivas, tão presentes. Acompanham sua voz narrativa o som de flautas, fagote, viola, marimbau e um violão tocado com tamanha sensibilidade que se assemelha as batidas do coração humano. Para expressar poeticamente os fatos acontecidos naqueles sertões ignotos, para descrever a existência daqueles distantes e ainda tão vivos acontecimentos; para nos transmitir a sensação vívida do que significava aquele reino que não era deste mundo, ninguém melhor do que o goliardo Bach, herdeiro das tradições profanas dos renegados monges/poetas medievais. Sua voz de trovador nos conta e nos guia, colorida pelos instrumentos característicos que evocam outros tempos idos da saga humana, nos reconduzem por raros momentos àquelas cenas, onde se misturam sonho, loucura, horror, desejo de fraternidade. Por um momento, somos capazes de vislumbrar as vozes do povo desaparecido no árido e sangrento palco, onde se travou um combate de morte em nome de um “ideal”, mas não havia ideologias, pátria, mártires, honra, etc., e outros conceitos que venhamos convencionar segundo os nossos modernos princípios.
O mundo canudense, entretanto, não era medieval, não era uma célula preservada do universo medievo que sobreviveu no tempo; era uma sociedade que propunha uma vida piedosa segundo princípios religiosos, mas não era um movimento religioso. Canudos, a Tróia de Taipa, foi um episódio único, ainda à espera de ser decifrada, de uma compreensão mais abrangente que leve em conta as motivações que levaram milhares de pessoas desassistidas e vitimas por todo tipo de opressão, a lutar de maneira tão ardente, até o último homem. Somente essa cega e estranha paixão os levou a não se renderem... à guisa de conclusão, como um retrato inexplicável, que no entanto fala por si, o então correspondente do jornal O Estado de São Paulo, Euclides da Cunha, atesta em palavras reproduzidas por Bach no encarte do CD, “Canudos não se rendeu. No ultimo dia de combate, eram quatro apenas: dois homens, um velho e uma criança, na frente dos quais rugiam furiosamente 5.000 valentes soldados”.
O que se seguiu, o destino dos não combatentes, das mulheres, das crianças e dos homens encontrados com vida, não existe descrição possível para qualificar o horror, os abusos, o sadismo, a sanguinária vingança perpetrada pelas forças legalistas. Uma estranha e inominável paixão movia os canudenses: o direito de (re)construir suas vidas de homens desprovidos de dignidade. Provavelmente não havia uma consciência politica clara do estavam fazendo ou mesmo do que queriam: mas aquela era a vida, era sua escolha, era sua fé e razão de ser e viver. Haviam conseguido, e não em nome de um projeto, palavra gasta e vulgarizada, enganosa e enganadora. Provavelmente, se houvesse consciência política ou outras ambições em pauta, teriam negociado a rendição ao pressentirem a derrota: mas aqueles homens e mulheres simples não tinham escolha, não tinham o que negociar, pois haviam se refugiado no ponto extremo de sua condição de homens e mulheres: haviam alcançado, metaforicamente, o Paraíso, e dali não retornariam ao inferno cotidiano de vida miserável, mesmo se o desejassem ou pudessem: haviam se tornado à duras penas homens e mulheres de verdade, ultrapassaram os mundos dos sonhos impossíveis – eram a própria encarnação do sonho impossível e dali não retornariam, lutariam até o esgotamento completo, tal como se deu.
Compreender o que foi Canudos e sua luta, pode nos ajudar a compreender a nós próprios, o que somos e o que queremos, pode nos levar a refletir sobre líderes salvadores. O trabalho de Roberto Bach, sua fidelidade aos fatos e a qualidade musical, merece ser conhecido: compreender o que foi Canudos, é compreender a nós mesmos, nossas singularidades enquanto nação mestiça...
*texto extraido http://www.sertaopaulistano.com.br

Este disco já foi postado no blog mas com a primeira versão com outra capa e arranjos.
Esta versão esta mais sofisticada com arranjos de alguns instrumentos mas sem perder a magia do disco, é uma relíquia porque não se encontra em nenhum blog ou site para baixar apenas aqui no Terra Brasilis.
Qualidade excelente pois fiz o upload em 320kbps.

Veja o que Roberto Bach escreveu :
Demorei cinco anos para fazer este disco. Quando interminado ele se chamou Os sertões, que é o título do livro no qual ele foi inspirado, terminado, se chama Bahia Banhada em Sangue..Foi um sonho realizado fazer um disco de guerra com instrumentos simples mas também com uma guitarra a lá Pink Floyd (participação especial Pepeu Gomes) levando o trabalho para uma ideia do Rock Progressivo. É uma pena com tudo o que realizei na música ser um artista totalmente desconhecido e o mais pobre entre todos.

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TERRA BRASILIS

domingo, 22 de dezembro de 2019

VERLUCIA NOGUEIRA E TIAGO FUSCO - ESTRADAR

A cantora cearense (de Juazeiro do Norte) Verlucia Nogueira e o pianista paulista Tiago Fusco, se uniram pra gravar esse tributo ao compositor baiano Elomar Figueira de Mello, com direção musical de João Omar (filho de Elomar). No repertório, algumas das mais conhecidas composições do mestre: "Curvas do Rio", "Na quadrada das águas perdidas" e "O pidido"
Fica difícil explicar a música do compositor baiano Elomar Figueira Mello desgarrada de seu contexto geográfico. Nascido na semiárida Vitória da Conquista, em 1954 ele muda-se para a capital Salvador para estudar e compõe algumas canções. Cinco anos mais tarde, ingressa no curso de arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), conclui o curso em 1964 e retorna à Vitória; vive da arquitetura, e paralelamente mantém uma carreira como artista. Este preâmbulo, com poucas linhas de sua biografia, ajuda a destrinchar o início de sua trajetória que se embaralhou por inúmeras vertentes, mas permaneceu fielmente plantada na paisagem do sertão. Trata-se de um  compositor cuja formação cultural e musical advém de seus vínculos com múltiplas experiências e tradições musicais, tanto regional e rural, que o colocam numa encruzilhada de onde partem e convergem inúmeros caminhos e alternativas.
Segundo Gilson Rodrigues Bomfim, pesquisador da Fundação Casa dos Carneiros e amigo de Elomar “nós denominamos sertão toda região que está distante do litoral” e dentro daquilo que se convenciona a chamar assim, ainda podemos ramificá-lo entre sertões: político, geográfico e existencial. Falar de Elomar é falar sobretudo desse último, o sertão existencial, cuja obra de sua autoria o faz transcender os limites territoriais e atravessar o tempo. 
É com essa aura que nasce Estradar, novo álbum lançado pelo Selo, solidificando a parceria entre a cantora Verlucia Nogueira e o pianista Tiago Fusco. Juntos desde 2012, quando se conheceram em um curso de música, em São Paulo, Verlucia e Tiago logo transformaram a afinidade pelas melodias em realização profissional. Entre ensaios e experiências, a dupla interpretou brasilidades distintas até decidirem pelas cantigas populares do cantor e compositor baiano.
A fim de ecoar as estradas e belezas de um sertão profundo, eles tiveram a direção artística do filho e parceiro de Elomar, o violinista João Omar. O mergulho pelo cancioneiro e da prosódia roçaliana, fizeram de Estradar uma obra, a qual não descaracteriza o processo criativo original, pelo contrário, oferece uma nova interpretação ao vocabulário catingueiro.
*http://projetoestradar.blogspot.com/

Maravilhoso !!!!!! 
Dispensa comentários.

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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

ANTONIO PEREIRA - DISCOGRAFIA

O cantador amazonense Antonio Pereira acaba de lançar sua “Discografia”. A Discografia, bem entendido, refere-se a um período de sua carreira, os primeiros 21 anos.
A Coleção, com 50 musicas sob a forma de uma Caixa Musical reúne seus cinco discos, em ordem cronológica, produzidos entre 1994 e 2015. Esses 21 anos simbolizam tão somente os registros de sua longa carreira, toda ela devotada à musica brasileira, em especial ao universo amazônico que ele conhece como poucos, filho da terra que é. No Amazonas se concentra toda a sua experiência de vida e artística, cuja efervecência de ritmos e estilos surpreende a quem não conhece – ou conhece apenas superficialmente – a região. Mitologias. História. Arqueologia. Utopias. Sonhos. Tragédias. Alegrias. Festa. De tudo isso é composta a Amazônia e o autor Antonio Pereira, um típico caboclo da terra, passeia por seus caminhos e veredas e vai colhendo frutos e flores, que transforma em poesia e musica. Some-se aos 21 anos de carreira discográfica outros tantos de aprendizado de alguém que durante toda a sua vida esteve imerso naquele o mundo de lendas e mistérios.
Mesmo quem já conhece os discos individualmente, ouvir a “caixa” é uma nova experiência, um  renovado encanto emoldurado por uma das melhores vozes masculinas da MPB, desde Milton Nascimento.
Pereira tem uma voz poderosa, mas não é voz que faz calar outras; é voz que agrega somada aos instrumentos, harmonizando-se aos caprichados arranjos, formando um conjunto de grande beleza. Tudo soa aos ouvidos sob medida: ninguém ouve incólume a voz de Pereira, o “Uirapuru Disfarçado de Gente”, para fazer jus à mística amazonense.
Ouvindo os CDs na seqüência de lançamento, mesmo sendo já conhecidos, bafeja um irresistível sabor de frescor. A sequência cronológica dos CDs nos dão uma idéia, não da evolução artística e musical, mas da coerência da obra de um artista que já nasceu grande e desde o primeiro trabalho (O Lago das Sete Ilhas, 1994) mostra completo domínio e segurança do que deseja expressar como artista; nenhuma das canções é supérflua, nenhuma musica foi colocada em qualquer de seus discos para ‘completar’ certo número. Pois a música para Pereira, como para todos aqueles para quem a música reflete a essência da alma, não se trata somente de estética; cada canção representa momentos ou situações especiais, que Pereira interpreta com uma sinceridade visceral, que vem da alma e assim, é como se trabalhasse, em cada tema, todas as possibilidades poético-musicais: podemos gostar mais de uma que de outra, mas o conjunto se destaca pelo mesmo zelo cuidadoso, impecável.
Pereira consegue reunir simplicidade e bom gosto. Sua obra, embora autoral e sem fazer concessão ao sucesso fácil e previsível da industria discografica, é de fácil absorção pelo público, o que faz dele uma figura bastante popular em sua Manaus. Elementos poéticos, folclóricos, místicos, rítmicos, tudo se mistura de forma coerente e harmoniosa. Ouvir Pereira é viajar pelos caminhos de água, atravessar os campos encharcados, acostumar-se à visão das palafitas e da floresta que, vista a partir de dentro parece infinita não só na sua magnitude colossal, mas nas possibilidades que se oferece (essa beleza e essa força, bem o sabemos, não a torna invencível perante a ganância humana, exigindo de nossas autoridades especial cuidado e atenção, pois a preservação da Amazônia é, em si, seu maior tesouro, seu legado para o futuro). A musica de Pereira, um homem do povo, que a região com olhos de poeta mas também de crítico, é uma boa razão para pensarmos a Amazônia com outros olhos, além do lugar-comum exposto no noticiário. Sua música o ouvinte e o convida a estabelecer conexões com mundos d’além: caminhos de barro e asfalto, terras ásperas da caatinga e do cerrado, platôs e montanhas andinas, brancos desertos que milhões anos no passado dominaram a paisagem hoje verde. Existe conexões poderosas, concretas e/ou imaginárias entre a Amazônia e o mundo e do ponto de vista musical, estão presentes na obra de António. Nela se sente a viva presença dos folguedos populares, latinidades e outros sinais de vida do continente que não por acaso tem o formato de um imenso coração: afinal, o que acontece na Amazônia tem ressonância no resto do continente, quiçá do mundo. Através da musica podemos tecer reflexões sobre uma imaginária “aldeia global” que se influencia mutuamente.
A CARREIRA
 Antonio Pereira começou sua carreira discográfica com um grande disco porque o trabalho foi maturado lentamente ao longo dos anos. A Discografia começa e termina no mesmo nível, do primeiro ao quinto trabalho, porque o autor se formou como artista ao longo de muitos anos antes de se lançar ao disco. Conhece, portanto, seu oficio desde a base, podemos dizer.
Tocando desde sempre nos bares, festas, teatros de Manaus, ele aprendeu “na unha”, como se diz. Sua aguda sensibilidade e sua proximidade das pessoas, fez de Antonio Pereira um especialista no que concerne a compreender o gosto do público, ao qual sempre agradou, mas sem abdicar de suas próprias concepções artísticas. Ao decidir gravar, já era um mestre completo de seu oficio e sua obra um bloco sólido que nos foi revelando aos poucos.
Antonio traz a Arte para junto de nós, público, pois ele canta olhando nos olhos do publico.Essa familiaridade é o ponto crucial de sua originalidade, tornando fácil aos ouvidos e olhos do publico que o assiste e ouve, arranjos sofisticados que ele revela sobretudo em algumas raras peças instrumentais de grande beleza (seria possível imaginar a obra de Pereira ornamentada por uma grande orquestra? Essa Discografia poderia ser uma grande Cantata Amazônica, numa desconcertante fusão de ritmos, poesia, dança, folclore, latinidades).
Uma obra com densidade e profundidade porque foi construída com firmes pés no chão e o alicerce fundamental, além do talento, é o universo amazônico, sempre o tema central. E a Amazônia borbulha de histórias, mistérios. Seja de seu passado mítico ou aventureiro, seja do próprio presente; da produção de riquezas, de produtos cosméticos, medicinais; pujante natureza; santuário ecológico.
Os discos: ( todos ja postado no blog terra brasilis)
O Lago das Sete Ilhas (1994);
Lendas (1998);
Estrada de Barro (2002);
Afluentes (2007) e
Luz de Lamparina (2015)
 
Os títulos não são casuais. Todos evocam  o lugar onde Pereira nasceu e se formou como pessoa e como artista, fiel por todas as dádivas recebidas de forma tão abundantemente: a generosidade da terra, é a generosidade do próprio Pereira.
Cada disco dá o seu recado e embora predomine o astral amazônico, a poesia universal está presente. Se a Amazônia é o “pulmão do mundo” como dizem, por esse pulmão circula a força vital do mundo. A Amazônia dá e recebe.
Os três primeiros trabalhos ( O Lago das Sete Ilhas, Lendas e Estrada de Barro) são desdobramentos de temas comuns do grande e denso caldo;
O quarto disco, o Afluentes, dirigido por Vidal França e com participações nas composições de Chico Branco, Amauri Falabella e a forte presença vocal de Katya Teixeira  nos vocais de Canteiros do Coração é o ponto convergente, que tanto encantou João Bá, que ao me entregar o CD que eu ainda não conhecia, asseverou: “esse eu garanto que você vai gostar!” Ele estava certo, pois gostei e desde o começo foi para mim o elo que faltava, a grande integração entre a Amazônia e o mundo – e não apenas como eterna fonte de exploração.
O quinto disco, Luz de Lamparina, embora seja seu disco mais autoral e pessoal, com musicas compostas ao longo da vida, é o que mais dialoga poeticamente com o resto do mundo além do Amazônico. Destaque para "Vera Cruz" onde tive a impressão de ouvir ecos de viola nordestina, romances mouros...
Amauri Falabela, João Bá, Dani Lasalvia e Pereira

AMAZÔNIA É HOJE!
Um mundo à parte e ao mesmo tempo integrador, permanentemente desafiador. Seus caminhos de água guardam surpresas ao “caminhante” pouco importa o quão habituado se esteja em percorrer suas trilhas liquidas. E toda beleza e desafio do mundo onde reinam as águas, estão presentes  na obra e na vida de um de seus habitantes mais ilustres: Pereira respira Amazônia e seu coração pulsa ao seu compasso.
Somos afortunados por ter ser contemporâneos de um artista que nos lega belíssimos retratos e contundentes retratos da Amazônia e nos oferece a possibilidade de vislumbrar que o ser humano pode perfeitamente viver em harmonia com a natureza. Estejamos atentos, pois o que hoje é uma opção, amanhã pode não ser! Que no futuro não venhamos a ouvir um réquiem para a floresta.
*texto extraido http://www.sertaopaulistano.com.br


A quem estiver interessado em adquirir, segue o telefone do artista:

(92) 99233-7330 (whatzap). O mesmo também pode ser contatado via facebook. O material é remetido via Correios.

Se vc gostou adquira o original, valorize a obra do artista.
 
RECOMENDADÍSSIMO !!!! 

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